Passe o sal por favor
Quem já pegou a estrada que vai do Rio até Vitória e atravessou as regiões dos Lagos deve ter reparado as infinitas sucessões de espelhos d'água perfeitamente retangulares e alinhados. As Salinas são evaporadores d'água gigantes que, há mais de 300 anos, antes de Jesus Cristo, utilizam a energia solar para tirar da natureza uma substância ainda mais importante que a água para o nosso organismo: o sal.
O que todo mundo sabe sobre este mineral e o mais evidente para todos é a sua capacidade em acordar e revelar os sabores dos alimentos. Ele consegue despertar aromas das coisas mais ''sem sal''. Pegue um simples prato de espagueti que você cozinhou al dente sem despejar sal na água. Inunda de um filete de azeite e só.
Experimenta - mal você captará as sutilezas do azeite, ainda menos da massa. Agora, acorde os aromas temperando com umas pitadas de sal e aí vem uma explosão de notas saborosas. O sal dá vida a nossa comida.
O segundo maior conhecimento que nós temos do sal é a sua propriedade de desidratação indispensável para a conservação dos alimentos, se bem que, até o final do século XIX, ele era o principal meio de conservação. Os sítios de extração sendo poucos e muito longe das grandes aglomerações e capitais, o sal era mal distribuído entre os povos e por isso ele era uma raridade vital de grande valor. A história do sal é similar a da que nós estamos vivendo hoje com o petróleo e com certeza que será a da água amanhã.